
Relatório Final: 22 de novembro de 1999.
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RELATÓRIO DO TRABALHO DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA DO
MONUMENTO A RAMOS DE AZEVEDO, LOCALIZADO NO CAMPUS DA USP DA CIDADE DE SÃO PAULO.
Início do trabalho – 13/09/1999.
- Lavagem das esculturas em bronze:
1a. Fase- Lavagem das esculturas em bronze com detergente neutro
da marca "archote", manualmente, utilizando-se esponja da marca
"scotch-brite" com nível médio de abrasão.
2a. Fase- Remoção com jato de água, utilizando-se uma máquina
portátil de marca "jocker" mod. 140 w, com leque aberto.
3a. Fase- Lavagem manual com esponja de poliuretano flexível,
aplicando-se uma solução de bicarbonato de sódio (100gr. Em 10 l. de
água).
4a. Fase- Lavagem com jato de água, utilizando-se uma máquina
portátil da marca "jocker" mod. 140, com leque aberto.
- Limpeza do pedestal de granito.
1a.Fase- Protegemos as estátuas de bronze com folhas de
"plástico bolha", fixadas com fita adesiva crepe.
2a. Fase- Iniciamos o processo de limpeza da estrutura em granito
do monumento, utilizando um equipamento portátil de jateamento de areia, da
marca "Blastibrás", com diâmetro de saída de areia de ¼ de
polegada. O material abrasivo utilizado foi Quartzo M 100 + Quartzo M 40, na
mesma proporção, utilizando-se uma pressão de 120 libras
Posteriormente, passou-se a utilizar areia de construção, nessa mesma
pressão. Nos pontos onde haviam incrustações mais graves (com até 20 mm
de espessura), foi necessário a retirada manual desses depósitos,
utilizando-se um desincrustador pneumático.
Posteriormente esses locais seriam também jateados.
Observou-se após o jateamento com Quartzo e Areia, a permanência de
depósitos na cor verde, que na presença de umidade, apresentavam uma
tonalidade mais escura (verde musgo).
Jateamos essas manchas com óxido de alumínio malha 100 a uma pressão de
120 libras, eliminando essas manchas, que se apresentavam mais evidentes sob
a estátua do cavalo alado.
3a. Fase- Vedação das juntas dos blocos de granito.
Inicialmente, utilizamos um desincrustrador pneumático para a retirada do
rejunte dos blocos de granito. Realizado originalmente em cimento branco.
Após a limpeza com jato de ar e pincel, aplicou-se uma massa epóxi
composta especificamente para essa finalidade, com aderência e tixotropia
adequadas.
Essa aplicação foi realizada de modo manual.
4a. Fase- Lavagem do monumento com jato de água, para retirada
da areia utilizada. Essa Lavagem utiliza uma máquina da marca "jocker"
mod. 140 W, usando "leque aberto"
Observações:
- Com relação às manchas escuras, observadas na estrutura de
granito antes da limpeza, verificamos tratarem-se de incrustações
minerais decorrentes de depósitos trazidos
pela água infiltrada
nas juntas dos
blocos de granito.
Esses blocos foram montados sobre placas de chumbo (utilizadas como juntas
de dilatação) e argamassa de cimento. Posteriormente, esses blocos foram
"rejuntados" com composto de cimento branco. Essa vedação de cimento
apresentou trincas, permitindo a passagem de água entre os blocos, dissolvendo
o chumbo e cimento que se encontravam no interior dos blocos.Essa solução
aflorou-se e cristalizou-se na superfície dos blocos, formando essas
incrustações negras superficialmente e claras no seu interior, dispostas em
camadas .
Na impossibilidade de substituição das juntas de dilatação dos blocos de
granito, utilizamos um composto epóxi para impedir a penetração de água no
interior da estrutura do monumento, estabilizando o aspecto exterior dessa
estrutura.
Um ponto que merece destaque é a presença de uma intervenção no monumento
com uma tinta utilizada na marcação de asfalto, na pintura de faixas e
sinalização.
Acreditamos que um vasilhame contendo uma quantidade dessa tinta foi arremessado
contra o monumento, atingindo o granito do lado da estátua de Ramos de Azevedo.
A tinta atingiu o granito e partes da estátua de Ramos de Azevedo.
Cremos que essa ação foi executada há já alguns anos, pois a superfície da
tinta apresenta-se ressecada e de dificílima remoção. Conseguimos retirar
cerca de 30% dessa tinta, utilizando uma combinação de thinner, monômero de
estireno e parafina. As películas mais espessas foram removidas, soltando-se da
superfície do bronze. Observamos que, o metal foi danificado pela tinta, pois
houve remoção da pátina e onde estava instalada a película de tinta, o metal
apresenta-se corroído. Antes da lavagem final do monumento, fizemos uma
tentativa de remoção com solvente para versil, tanto da superfície do granito
como do bronze. No caso do granito a tinta está tão incorporada a pedra, que o
solvente não atinge a película de tinta, que deve estar na superfície do
granito há muitos anos. Acreditamos que a sua remoção só será possível
utilizando-se métodos mecânicos de remoção. No caso da tinta aplicada sobre
o bronze, observamos que após a tentativa de remoção com solventes mais
fracos o bronze apresentou-se corroído pela tinta. Utilizando-se o solvente
para versil a remoção da tinta não foi completa, além de remover a
pátina, não sendo indicado o seu uso no bronze.
A remoção dessa tinta entrará um processo de restauração, pois
dependerá da abordagem dada à restauração da pátina.
Até onde foi o nosso trabalho?
- Em virtude de impedimentos técnicos e jurídicos, limitamo-nos a executar o
trabalho de limpeza da superfície do monumento. Ou seja, limitamo-nos a
retirar as substâncias estranhas à originalidade do monumento, para isso,
utilizando procedimentos adequados às características de cada material.
O granito: Optamos por utilizar o processo de jateamento, pois o nível de
abrasão não atingiu o granito, sendo agressivo apenas sobre as incrustações
estranhas ao monumento, preservando as características originais do material.
Tanto que manchas resultantes de infiltrações que penetraram em setores mais
porosos da pedra permanecem. A retirada dessas manchas exigiam um procedimento
mais invasivo, quer químico ou mecânico. Nesse caso, estaríamos entrando num
processo de restauração, o que não é o caso agora.
O bronze: O metal encontra-se preservado, estando apenas comprometido o local
onde houve a ação de borracha clorada, como nos referimos anteriormente. Com
relação à pátina, esta se encontra manchada por ações naturais, como um
todo. Nos locais onde havia pichações, a tinta foi retirada num processo de
limpeza de solventes, sempre evitando procedimentos abrasivos ou químicos mais
agressivos, que pudessem comprometer a liga metálica. Não nos preocupamos com
reconstituições de pátina, pois achamos que esse procedimento implicaria num
processo de restauração, que reafirmamos, no momento não é nosso propósito.
Da restauração: Sugerimos que , após um trabalho de pesquisa, visando o
levantamento da pátina original, seja providenciada a discussão entre as
partes competentes ou interessadas, sobre as seguintes questões:
- As estátuas de bronze devem ser reconduzidas à sua coloração original,
ou seja, a pátina deve ser refeita? Em caso positivo, qual deverá ser o
procedimento para tanto?
No caso de manter-se a pátina como está, ou seja, naturalmente manchada,
qual deverá ser o procedimento para a reconstituição das partes afetadas por
vandalismo?
Após pesquisa para o levantamento de partes faltantes das estátuas, se
existirem, saber se ainda encontram-se modelos ou fôrmas originais. Caso seja
feita a reinstalação, decidir se as partes novas devem ser refeitas com a
pátina original, ou sofrer um processo de "envelhecimento" para
harmonizar-se com o conjunto do monumento.
- Com relação ao granito, as pedras manchadas mais profundamente deveriam
sofrer uma analise técnica para estudo de um procedimento de restauro, já que
cremos, esgotamos as possibilidades de ação em sua superfície.
Dê sua opinião
EDESC
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Manchas no granito (limpeza com solventes). Isto
demonstrava que a limpeza com solventes químicos era inadequada, pois
fazia com que a sujeira penetrasse na rocha. |
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Incrustações na superfície do granito, desenvolve-se
nas junções dos blocos de difícil retirada, sua superfície negra é
cristalizada, sendo resistente à abrasão. Foi necessário romper-se essa
estrutura mecanicamente , antes da abrasão, no jateamento. |
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Junções entre os blocos rachadas. Retiramos os restos
de cimento, antes da aplicação do adesivo vedante epóxi. |
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Estátua de Ramos de Azevedo com manchas na pátina.
Essas manchas não foram retiradas, pois estão incorporadas à pátina. |
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Incrustações no granito, anteriores à limpeza. |
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Manchas esverdeadas na pátina (a pátina original é de
cor preta, provavelmente na pátina florentina). As manchas verdes são
depósitos de carbonato de cobre, aflorados de setores da liga mais ricos
em cobre. |
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Borracha clorada que atingiu a estátua de Ramos de
Azevedo. |
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Testes para jateamento do granito. |
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Retirada de depósitos nas incrustações. |
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Granito jateado. |
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Incrustação no capitel. |
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Retirada de incrustação. |
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Entalhe inalterado pelo processo de limpeza. |
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Trabalho de jateamento no granito. |
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Jateamento das escadas. |
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Tentativa de retirada de borracha clorada do granito. |
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Manchas de borracha clorada na estátua de Ramos de
Azevedo. |
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Aplicação de massa de rejunte epóxi. |

Monumento Ramos de Azevedo após a limpeza.
Com a
conclusão dessa etapa da preservação do monumento a Ramos de
Azevedo agradecemos a todos os amigos da
Prefeitura do Campus da Capital, pela
sua colaboração, interesse e carinho para
com o nosso trabalho. Agradecemos
também ao IPT e a Comissão do Patrimônio do Campus pela
orientação técnica e opiniões
esclarecedoras.
A todos um grande abraço e o nosso muito obrigado.
EDESC
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