Este painel foi executado usando o seguinte processo:
Numa primeira etapa, foi fundido um composto de cimento,
vermiculita e água, compondo uma espécie de concreto, em formas de
"madeirit". Formou-se uma camada de aproximadamente 30 cm
aderida à parede. Essa camada posteriormente foi entalhada, na sua 1a.
semana de cura, compondo o painel.
Esse concreto composto de vermiculita, apresenta a densidade
aproximadamente 5 vezes menor que o concreto convencional, quando o
traço cimento/vermiculita é em volume um para dois.
Sua absorção de água é muito grande, apresentando fadiga quando
exposto à umidade constante devido à expansão da vermiculita na
presença de água. Apresenta também a característica de ser um
isolante térmico e acústico razoável .
-As condições atuais do painel:
Verificamos a presença de rachaduras em alguns pontos, provavelmente
devido à má compactação da argamassa durante o processo de
enchimento das caixas. No entanto, essas rachaduras não implicam num
comprometimento estrutural, estando o painel bem agregado à
alvenaria.
Existe um desgaste superficial apreciável em muitas áreas do painel,
dando um aspecto rústico ao conjunto.
Notamos também a presença de setores coloridos no painel,
resultado do desgaste da pátina original do mesmo. Essa pátina já
quase não existe mais, notam-se apenas resquícios dessa pintura. Ela
constituía-se na aplicação de corantes minerais (pó xadrez)
diluídos em água e aplicados sobre a superfície do concreto na
primeira semana de cura, cristalizando-se juntamente com o cimento.
Trata-se de uma camada bastante fina e superficial, que foi se
desagregando com o tempo.
- Nossa sugestão para a recuperação do painel:
Sugerimos o seguinte procedimento:
Inicialmente, a lavagem do painel com jato de água, usando-se uma
máquina de pressurização de baixa potência (até 200 w),
utilizando-se jato de água em leque aberto, mantendo-se uma
distância de no mínimo 50 cm. Deve-se aguardar posteriormente um
período que pode chegar a até uma semana, dependendo das condições
de temperatura e umidade do ambiente, para a secagem do concreto.
Numa segunda etapa, sugerimos a aplicação de resina epóxi na
forma líquida, por processo de injeção, para a fixação de partes
do concreto que estão "descolando" da alvenaria estrutural
e nas rachaduras mais finas, visando à fixação das partes
instáveis ou degradadas.
A terceira etapa se constituiria na recuperação de partes
desintegradas ou perdidas, com cimento epóxi.
A quarta etapa constitui-se na aplicação via pulverização sobre
a superfície do painel, de um composto epóxi na cor cinza claro numa
tonalidade próxima à do concreto original. Essa aplicação se dará
da seguinte forma:
Aplica-se uma primeira camada do composto por pulverização com
pistola de baixa pressão e diâmetro de bico de 4,5 mm. Sobre o
composto recém aplicado, são sobrepostas, com a ajuda de jato de ar
de baixa pressão, partículas de vermiculita, que ficam aderidas à
superfície do composto. Isso é feito em toda a extensão do painel,
repetindo-se esse procedimento duas ou três vezes, até alcançar-se
uma camada de três a cinco mm de espessura.
Utilizamos o composto epóxi por suas características excelentes
de aderência, resistência à umidade, e agentes químicos, além de
boa resistência mecânica. Deve-se notar, no entanto, que a
resistência a impactos sobre o painel não será grandemente
aumentada, em função das características do concreto original do
painel.
Note-se também que o período de cura do composto epóxi pode se
estender de 7 a 10 dias, para cura completa, só então atingindo o
composto suas características finais de dureza e resistência.
A quinta etapa se constitui na texturização da superfície, que
se dará por abrasão manual, utilizando-se lixas, durante o período
de cura.
Finalmente, deve-se lavar o painel novamente com jato de água.
Como resultado final, teríamos o painel com aspecto semelhante ao
aspecto original, antes da aplicação da pátina com corantes.
No entanto, a superfície do composto epóxi pode ser colorida com
uma infinidade de resinas fixadoras, combinadas com os mesmos pós
corantes utilizados originalmente.
Acreditamos que com esse procedimento o painel estará protegido da
umidade em sua superfície externa, que é a causa natural mais
importante de deterioração do concreto com vermiculita utilizado
originalmente. Não havendo infiltrações na sua parte interna, como
aparentemente até agora isso não aconteceu, o painel permanecerá
estável por muitos anos.
Apenas deverá ser preservado de impactos mecânicos, devido à
baixa resistência a choques do concreto com vermiculita.
Observação:
A vermiculita é um composto mineral natural, constituído
principalmente de mica, que submetida a um processo de umidificação
e rápido aquecimento, provoca a expansão de suas lâminas, como se
abríssemos o fole de uma sanfona, expandindo o seu volume. Trata-se
portanto de mica expandida, de baixa densidade (é um material leve) e
baixa resistência mecânica. Em contato com a água apresenta a
tendência a continuar seu processo de expansão.