RESTAURAÇÃO DO PAINEL DO SESC - PAULISTA

 

                                   Vista  geral.

          

 

 Home 

     

             

          Dê sua opinião

                                                                                            EDESC

 

                 NOVEMBRO/1999.              

PROJETO REFERENTE À RESTAURAÇÃO DO PAINEL, LOCALIZADO NO PRÉDIO SESC NA AV. PAULISTA, 119 – TÉRREO, DE AUTORIA DO ARTISTA ROBERTO VIVAS.

 

Este painel foi executado usando o seguinte processo:

Numa primeira etapa, foi fundido um composto de cimento, vermiculita e água, compondo uma espécie de concreto, em formas de "madeirit". Formou-se uma camada de aproximadamente 30 cm aderida à parede. Essa camada posteriormente foi entalhada, na sua 1a. semana de cura, compondo o painel.

Esse concreto composto de vermiculita, apresenta a densidade aproximadamente 5 vezes menor que o concreto convencional, quando o traço cimento/vermiculita é  em volume um para dois.
Sua absorção de água é muito grande, apresentando fadiga quando exposto à umidade constante devido à expansão da vermiculita na presença de água. Apresenta também a característica de ser um isolante térmico e acústico razoável .

-As condições atuais do painel:


Verificamos a presença de rachaduras em alguns pontos, provavelmente devido à má compactação da argamassa durante o processo de enchimento das caixas. No entanto, essas rachaduras não implicam num comprometimento estrutural, estando o painel bem agregado à alvenaria.
Existe um desgaste superficial apreciável em muitas áreas do painel, dando um aspecto rústico ao conjunto.

Notamos também a presença de setores coloridos no painel, resultado do desgaste da pátina original do mesmo. Essa pátina já quase não existe mais, notam-se apenas resquícios dessa pintura. Ela constituía-se na aplicação de corantes minerais (pó xadrez) diluídos em água e aplicados sobre a superfície do concreto na primeira semana de cura, cristalizando-se juntamente com o cimento. Trata-se de uma camada bastante fina e superficial, que foi se desagregando com o tempo.

- Nossa sugestão para a recuperação do painel:

Sugerimos o seguinte procedimento:

Inicialmente, a lavagem do painel com jato de água, usando-se uma máquina de pressurização de baixa potência (até 200 w), utilizando-se jato de água em leque aberto, mantendo-se uma distância de no mínimo 50 cm. Deve-se aguardar posteriormente um período que pode chegar a até uma semana, dependendo das condições de temperatura e umidade do ambiente, para a secagem do concreto.

Numa segunda etapa, sugerimos a aplicação de resina epóxi na forma líquida, por processo de injeção, para a fixação de partes do concreto que estão "descolando" da alvenaria estrutural e nas rachaduras mais finas, visando à fixação das partes instáveis ou degradadas.

A terceira etapa se constituiria na recuperação de partes desintegradas ou perdidas, com cimento epóxi.

A quarta etapa constitui-se na aplicação via pulverização sobre a superfície do painel, de um composto epóxi na cor cinza claro numa tonalidade próxima à do concreto original. Essa aplicação se dará da seguinte forma:

Aplica-se uma primeira camada do composto por pulverização com pistola de baixa pressão e diâmetro de bico de 4,5 mm. Sobre o composto recém aplicado, são sobrepostas, com a ajuda de jato de ar de baixa pressão, partículas de vermiculita, que ficam aderidas à superfície do composto. Isso é feito em toda a extensão do painel, repetindo-se esse procedimento duas ou três vezes, até alcançar-se uma camada de três a cinco mm de espessura.

Utilizamos o composto epóxi por suas características excelentes de aderência, resistência à umidade, e agentes químicos, além de boa resistência mecânica. Deve-se notar, no entanto, que a resistência a impactos sobre o painel não será grandemente aumentada, em função das características do concreto original do painel.

Note-se também que o período de cura do composto epóxi pode se estender de 7 a 10 dias, para cura completa, só então atingindo o composto suas características finais de dureza e resistência.

A quinta etapa se constitui na texturização da superfície, que se dará por abrasão manual, utilizando-se lixas, durante o período de cura.

Finalmente, deve-se lavar o painel novamente com jato de água.

Como resultado final, teríamos o painel com aspecto semelhante ao aspecto original, antes da aplicação da pátina com corantes.

No entanto, a superfície do composto epóxi pode ser colorida com uma infinidade de resinas fixadoras, combinadas com os mesmos pós corantes utilizados originalmente.

Acreditamos que com esse procedimento o painel estará protegido da umidade em sua superfície externa, que é a causa natural mais importante de deterioração do concreto com vermiculita utilizado originalmente. Não havendo infiltrações na sua parte interna, como aparentemente até agora isso não aconteceu, o painel permanecerá estável por muitos anos.

Apenas deverá ser preservado de impactos mecânicos, devido à baixa resistência a choques do concreto com vermiculita.

Observação:

A vermiculita é um composto mineral natural, constituído principalmente de mica, que submetida a um processo de umidificação e rápido aquecimento, provoca a expansão de suas lâminas, como se abríssemos o fole de uma sanfona, expandindo o seu volume. Trata-se portanto de mica expandida, de baixa densidade (é um material leve) e baixa resistência mecânica. Em contato com a água apresenta a tendência a continuar seu processo de expansão.

 

 

Presença de trincas e conduite exposto

A tampa da caixa de luz será substituída por uma placa em latão.

   

 

 

Desgaste na superfície do concreto.

   

 

 

Desgaste na superfície do concreto.

 

 

 

 

 

Rachaduras no painel.

 

 

 

 

Rachaduras no painel.

   

 

 

Alvenaria exposta por descolamento do concreto.

   

 

 

Buracos no painel. Concreto desgastado.

 

 

 

Resquícios da pátina original. Superfície do concreto apresenta desgaste.

 

 

 

 

 

Superfície desgastada do painel.

   

 

 

Manchas de esmalte sintético na superfície do painel.

                                                             

Voltar | Home